Icewarp
19/07/2005, 13:34
Recebi do Enemy Ace:
da BBC, em Londres
Desde de 2003, as forças de coalizão no Iraque e, principalmente, as forças americanas, mataram quatro vezes mais civis no Iraque do que a resistência no país.
A informação está em um relatório do projeto Iraq Body Count (Contagem das Mortes no Iraque, em tradução livre), divulgado nesta terça-feira
Cerca de 37% das mortes violentas de 24.865 civis iraquianos ocorridas nos dois primeiros anos de conflito foram praticadas pelas forças lideradas pelos Estados Unidos no país, sendo que, desse total, 98,5% foram responsabilidade do Exército americano.
As forças contra a ocupação, que incluem os insurgentes, assassinaram 9% dos civis.
A segunda maior fonte de mortes é tida como a violência comum, provocada pela violência criminosa gerada após a invasão: 36% das vítimas civis.
O restante das mortes -- um número baixo diante do total -- não teve sua origem identificada --ou foram provocadas pelos dois lados do conflito (sem definição de que lado) ou por agentes desconhecidos.
O restante das mortes
Das 13.811 vítimas que tiveram idade e gênero identificados, 18% eram mulheres e crianças.
Como não existem dados oficiais sobre o número de civis mortos no conflito do Iraque, o grupo Iraq Body Count, em parceria com o Oxford Research Group, analisou mais de 10 mil matérias jornalísticas publicadas desde o início da invasão do país.
O Iraq Body Count foi criado por cidadãos americanos e britânicos, em janeiro de 2003, quando, segundo eles, "tinha ficado claro que uma invasão no Iraque seria quase inevitável".
Segundo um dos fundadores do grupo, o britânico John Sloboda, o principal objetivo do dossiê publicado nesta terça-feira é "mostrar aos governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha que é possível realizar uma contagem detalhada de civis mortos no conflito".
"O governo britânico, por exemplo, disse várias vezes que não acredita que esse trabalho seja possível. Mostramos que não é necessário muito tempo nem esforço para isso. E se um pequeno grupo de voluntários pode fazê-lo, obviamente os governos, com seus imensos recursos, também podem", disse Sloboda.
O britânico também afirmou que apesar de não saber dizer se os ataques realizados em Londres no último dia 7 podem ter sido gerados pela morte de civis inocentes em países como o Iraque, "o fato de essas mortes não serem contabilizadas pelos países ocidentais está aumentando o ódio do mundo muçulmano".
Insurgência
A capital iraquiana Bagdá, cidade que concentra o maior número de habitantes no Iraque (mais de 5,5 milhões), foi palco do maior número de mortes, com 11.264.
A segunda cidade onde foram registrados mais assassinatos de civis foi Fallujah, onde os Estados Unidos realizaram duas operações contra insurgentes em 2004.
Segundo o dossiê publicado nesta terça-feira, o maior número de civis morreu durante os primeiros meses da invasão, até o final de abril de 2003.
"Depois disso, o número caiu drasticamente, mas, mês após mês, começamos a ver um aumento de mortes de civis novamente, praticadas principalmente por insurgentes", afirmou Sloboda.
O relatório também conclui que as duas operações realizadas pelo Exército americano em Fallujah não surtiu o efeito desejado, que era enfraquecer os insurgentes.
"Se você olha o gráfico de mortes praticadas por insurgentes mês a mês, depois das duas operaçoes em Fallujah os números aumentaram em vez de diminuir, portanto, essas duas operações parecem não ter tido efeito", disse Sloboda.
Bomba
De acordo com o relatório, a maioria das mortes está ligada ao conflito. As principais vítimas eram policiais e seguranças, pessoas ligadas a atividades políticas, funcionários do governo e pessoas que forneciam algum tipo de serviço às forças militares de ocupação.
Por outro lado, o estudo ressalta que os crimes comuns no Iraque raramente são noticiados pela imprensa estrangeira, portanto, não se pode concluir que a maior parte dos mortos se inclua numa dessas ocupações relacionadas acima.
O dossiê também revela qual tipo de arma matou o maior número de inocentes. De acordo com Sloboda, quanto maior a arma, mais indiscriminada ela é e a mais indiscriminada delas é a bomba".
"O número mais alto de mortes de crianças e de feridos é causado pelas bombas que, na maioria das vezes neste conflito, são lançadas de aviões das forças lideradas pelos Estados Unidos", explicou Sloboda.
fonte: http://noticias.uol.com.br/bbc/2005/07/19/ult2363u3799.jhtm
da BBC, em Londres
Desde de 2003, as forças de coalizão no Iraque e, principalmente, as forças americanas, mataram quatro vezes mais civis no Iraque do que a resistência no país.
A informação está em um relatório do projeto Iraq Body Count (Contagem das Mortes no Iraque, em tradução livre), divulgado nesta terça-feira
Cerca de 37% das mortes violentas de 24.865 civis iraquianos ocorridas nos dois primeiros anos de conflito foram praticadas pelas forças lideradas pelos Estados Unidos no país, sendo que, desse total, 98,5% foram responsabilidade do Exército americano.
As forças contra a ocupação, que incluem os insurgentes, assassinaram 9% dos civis.
A segunda maior fonte de mortes é tida como a violência comum, provocada pela violência criminosa gerada após a invasão: 36% das vítimas civis.
O restante das mortes -- um número baixo diante do total -- não teve sua origem identificada --ou foram provocadas pelos dois lados do conflito (sem definição de que lado) ou por agentes desconhecidos.
O restante das mortes
Das 13.811 vítimas que tiveram idade e gênero identificados, 18% eram mulheres e crianças.
Como não existem dados oficiais sobre o número de civis mortos no conflito do Iraque, o grupo Iraq Body Count, em parceria com o Oxford Research Group, analisou mais de 10 mil matérias jornalísticas publicadas desde o início da invasão do país.
O Iraq Body Count foi criado por cidadãos americanos e britânicos, em janeiro de 2003, quando, segundo eles, "tinha ficado claro que uma invasão no Iraque seria quase inevitável".
Segundo um dos fundadores do grupo, o britânico John Sloboda, o principal objetivo do dossiê publicado nesta terça-feira é "mostrar aos governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha que é possível realizar uma contagem detalhada de civis mortos no conflito".
"O governo britânico, por exemplo, disse várias vezes que não acredita que esse trabalho seja possível. Mostramos que não é necessário muito tempo nem esforço para isso. E se um pequeno grupo de voluntários pode fazê-lo, obviamente os governos, com seus imensos recursos, também podem", disse Sloboda.
O britânico também afirmou que apesar de não saber dizer se os ataques realizados em Londres no último dia 7 podem ter sido gerados pela morte de civis inocentes em países como o Iraque, "o fato de essas mortes não serem contabilizadas pelos países ocidentais está aumentando o ódio do mundo muçulmano".
Insurgência
A capital iraquiana Bagdá, cidade que concentra o maior número de habitantes no Iraque (mais de 5,5 milhões), foi palco do maior número de mortes, com 11.264.
A segunda cidade onde foram registrados mais assassinatos de civis foi Fallujah, onde os Estados Unidos realizaram duas operações contra insurgentes em 2004.
Segundo o dossiê publicado nesta terça-feira, o maior número de civis morreu durante os primeiros meses da invasão, até o final de abril de 2003.
"Depois disso, o número caiu drasticamente, mas, mês após mês, começamos a ver um aumento de mortes de civis novamente, praticadas principalmente por insurgentes", afirmou Sloboda.
O relatório também conclui que as duas operações realizadas pelo Exército americano em Fallujah não surtiu o efeito desejado, que era enfraquecer os insurgentes.
"Se você olha o gráfico de mortes praticadas por insurgentes mês a mês, depois das duas operaçoes em Fallujah os números aumentaram em vez de diminuir, portanto, essas duas operações parecem não ter tido efeito", disse Sloboda.
Bomba
De acordo com o relatório, a maioria das mortes está ligada ao conflito. As principais vítimas eram policiais e seguranças, pessoas ligadas a atividades políticas, funcionários do governo e pessoas que forneciam algum tipo de serviço às forças militares de ocupação.
Por outro lado, o estudo ressalta que os crimes comuns no Iraque raramente são noticiados pela imprensa estrangeira, portanto, não se pode concluir que a maior parte dos mortos se inclua numa dessas ocupações relacionadas acima.
O dossiê também revela qual tipo de arma matou o maior número de inocentes. De acordo com Sloboda, quanto maior a arma, mais indiscriminada ela é e a mais indiscriminada delas é a bomba".
"O número mais alto de mortes de crianças e de feridos é causado pelas bombas que, na maioria das vezes neste conflito, são lançadas de aviões das forças lideradas pelos Estados Unidos", explicou Sloboda.
fonte: http://noticias.uol.com.br/bbc/2005/07/19/ult2363u3799.jhtm